
Joint Ventures de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico, segundo a Lei nº 6.404/76
O consórcio de sociedades é uma forma de parceria empresarial de natureza associativa — uma verdadeira joint venture contratual — firmada entre empresas que desejam executar um empreendimento em conjunto, normalmente com objeto e prazo bem definidos.
A estrutura possui previsão legal na Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76), especialmente nos arts. 278 e seguintes, que disciplinam os elementos essenciais de um Contrato de Consórcio de Sociedade (Joint Venture), dentre os quais:
• Designação do consórcio, caso as empresas optem por atribuir um nome à estrutura.
• Definição do empreendimento que constitui o objeto da parceria empresarial.
• Prazo de duração do consórcio, bem como a indicação de endereço e foro aplicáveis à relação contratual.
• Distribuição das obrigações e responsabilidades entre as sociedades consorciadas, incluindo as prestações específicas de cada participante.
• Regras sobre recebimento de receitas e partilha dos resultados do empreendimento comum.
• Normas de administração do consórcio, incluindo critérios de contabilização, representação das sociedades consorciadas e eventual taxa de administração.
• Forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com a definição do número de votos atribuído a cada consorciado.
• Critérios de contribuição para despesas comuns, quando aplicável.
Um ponto relevante é que o consórcio não possui personalidade jurídica própria.
Assim, cada empresa permanece juridicamente independente, respondendo apenas pelas obrigações que assumir no âmbito do contrato de Joint Venture.
Tradicionalmente, essa estrutura é bastante utilizada em grandes projetos de infraestrutura, envolvendo a atuação conjunta de diferentes empreiteiras.
Nos últimos anos, porém, tem sido crescente sua utilização por empresas industriais e startups deeptech, especialmente para o desenvolvimento conjunto de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
Nesse contexto, o consórcio de sociedades pode ser uma estrutura eficiente para compartilhar riscos tecnológicos e financeiros, combinar competências técnicas complementares, acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras e viabilizar projetos passíveis de proteção por patentes.
Caso a pesquisa resulte em uma tecnologia inédita, as empresas consorciadas podem estruturar livremente a exploração econômica do ativo tecnológico, por meio de:
• venda ou licenciamento cruzado de patentes, ou
• constituição de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) para exploração da tecnologia.
Registro e Publicidade da Joint Venture
Nos termos do art. 279, parágrafo único, da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976), o contrato de consórcio de sociedades deve ser arquivado na Junta Comercial e publicado, conferindo publicidade à estrutura de cooperação empresarial e tornando suas disposições oponíveis perante terceiros. Esse registro não cria personalidade jurídica para o consórcio — que permanece sendo uma associação contratual entre sociedades independentes —, mas tem a função de dar transparência ao mercado quanto à existência da parceria e às regras de funcionamento do empreendimento comum.
A formalização e o arquivamento do consórcio assumem especial relevância em licitações públicas, concessões, editais de subvenção e projetos de infraestrutura, situações em que a legislação e os editais frequentemente exigem a apresentação do contrato de consórcio regularmente registrado para a participação conjunta de empresas em determinado projeto.
Nessas hipóteses, o registro não apenas confere publicidade, mas também viabiliza juridicamente a atuação coordenada das empresas perante o Poder Público e perante terceiros envolvidos na execução do empreendimento.
A adequada estruturação do contrato de consórcio é essencial para garantir segurança jurídica, alinhamento entre as empresas participantes e eficiência na execução de projetos conjuntos — especialmente em iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).